Nos
últimos anos, a quantidade de estudantes intercambistas cresceu bastante. Não
apenas muitos brasileiros estão indo para o exterior, como também muitos
estrangeiros têm vindo estudar no Brasil. Segundo dados do Itamaraty, o número
de vistos para estudantes estrangeiros em 2005 foi de 5.770, e em 2013 esse
número subiu para 12.547.
Dentre as
universidades brasileiras que possuem parcerias com universidades no exterior,
destaca-se a Universidade Federal de Pernambuco. Destaca-se,
surpreendentemente, de maneira negativa. A secretária-executiva da Diretoria de
Relações Internacionais (DRI) da UFPE, Ina Alcântara, conta que por causa da
longa greve dos professores ocorrida em 2012 — que chegou a durar cinco meses —
o calendário da universidade ficou comprometido e portanto, incompatível com a
maioria dos calendários acadêmicos estrangeiros. “Os estudantes costumam vir
mais no segundo semestre, em agosto, quando o calendário bate mais com o
deles”, comenta. A vinda dos intercambistas, que poderia ser de uma enorme
vantagem para a instituição, ficou claramente prejudicada — ainda assim, a UFPE
conta com 44 estudantes internacionais neste primeiro semestre de 2015.
Ina
queixa-se ainda que é difícil ter feedback dos alunos: “É muito difícil conseguir
reunir todos eles. Depois que chegam e se acomodam, a gente quase não os vê
mais”. “Promovemos também passeios turísticos pelo Recife e por Olinda, mas a
presença deles ainda não é satisfatória. O último passeio realizado contou com
18 alunos de um total de 44”, lamenta.
Para
poder dar mais assistência tanto aos intercambistas brasileiros quanto aos
estrangeiros, foram criados em novembro de 2014 a Coordenação de Apoio ao
Estudante em Mobilidade, localizada na Biblioteca Central, juntamente com um
Guia do Estudante Estrangeiro (disponibilizado online tanto em inglês quanto em
português). A ideia é receber esses estudantes estrangeiros e dar auxílio na
solução de problemas de ordem acadêmica. Ina conta que os estudantes não
costumam ter muitos problemas — estes, quando surgem, dizem respeito mais às
questões burocráticas: “Normalmente, eles pedem ajuda com a documentação,
visto, etc., por estar tudo em português”, explica Ina.
A
fluência em Português é uma das exigências dos programas de intercâmbio
aderidos pela universidade. Ela pode ser comprovada através do Certificado de
Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), desenvolvido
em 1998 pelo Ministério das Relações Exteriores, sendo o único reconhecido
oficialmente. Os alunos estrangeiros que chegam à Universidade Federal de
Pernambuco sem a posse desse certificado são encaminhados para aulas de
português para estrangeiros no Núcleo de Línguas e Cultura (NLC), coordenadas
pela professora Maria Medianeira, no Centro de Artes e Comunicação.
Ainda
faltam investimentos da UFPE no que diz respeito a uma infraestrutura mais adequada
aos internacionalistas. Placas
com tradução em inglês nos campi são raridade. Professores fluentes no
idioma também — o que, aliás, é
uma das preocupações de Ina, pois, além de não serem capacitados para dar aulas
ou prestarem uma assistência mais direta aos alunos estrangeiros, publicam
pouquíssimos artigos científicos traduzidos para o inglês, abaixando o ranking
da universidade.
Entre
2012 e 2014, a UFPE recebeu 319 estudantes estrangeiros, sendo a maioria, em
primeiro lugar, da área de Humanas; em segundo, das Engenharias; e em terceiro
e em quarto lugar, respectivamente, de Arquitetura e da área de Saúde.
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