sábado, 16 de maio de 2015

A assistência e os desafios da Diretoria de Relações Internacionais da UFPE

Nos últimos anos, a quantidade de estudantes intercambistas cresceu bastante. Não apenas muitos brasileiros estão indo para o exterior, como também muitos estrangeiros têm vindo estudar no Brasil. Segundo dados do Itamaraty, o número de vistos para estudantes estrangeiros em 2005 foi de 5.770, e em 2013 esse número subiu para 12.547.

Dentre as universidades brasileiras que possuem parcerias com universidades no exterior, destaca-se a Universidade Federal de Pernambuco. Destaca-se, surpreendentemente, de maneira negativa. A secretária-executiva da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da UFPE, Ina Alcântara, conta que por causa da longa greve dos professores ocorrida em 2012 — que chegou a durar cinco meses — o calendário da universidade ficou comprometido e portanto, incompatível com a maioria dos calendários acadêmicos estrangeiros. “Os estudantes costumam vir mais no segundo semestre, em agosto, quando o calendário bate mais com o deles”, comenta. A vinda dos intercambistas, que poderia ser de uma enorme vantagem para a instituição, ficou claramente prejudicada — ainda assim, a UFPE conta com 44 estudantes internacionais neste primeiro semestre de 2015.

Ina queixa-se ainda que é difícil ter feedback dos alunos: “É muito difícil conseguir reunir todos eles. Depois que chegam e se acomodam, a gente quase não os vê mais”. “Promovemos também passeios turísticos pelo Recife e por Olinda, mas a presença deles ainda não é satisfatória. O último passeio realizado contou com 18 alunos de um total de 44”, lamenta.

Para poder dar mais assistência tanto aos intercambistas brasileiros quanto aos estrangeiros, foram criados em novembro de 2014 a Coordenação de Apoio ao Estudante em Mobilidade, localizada na Biblioteca Central, juntamente com um Guia do Estudante Estrangeiro (disponibilizado online tanto em inglês quanto em português). A ideia é receber esses estudantes estrangeiros e dar auxílio na solução de problemas de ordem acadêmica. Ina conta que os estudantes não costumam ter muitos problemas — estes, quando surgem, dizem respeito mais às questões burocráticas: “Normalmente, eles pedem ajuda com a documentação, visto, etc., por estar tudo em português”, explica Ina.

A fluência em Português é uma das exigências dos programas de intercâmbio aderidos pela universidade. Ela pode ser comprovada através do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), desenvolvido em 1998 pelo Ministério das Relações Exteriores, sendo o único reconhecido oficialmente. Os alunos estrangeiros que chegam à Universidade Federal de Pernambuco sem a posse desse certificado são encaminhados para aulas de português para estrangeiros no Núcleo de Línguas e Cultura (NLC), coordenadas pela professora Maria Medianeira, no Centro de Artes e Comunicação.

Ainda faltam investimentos da UFPE no que diz respeito a uma infraestrutura mais adequada aos internacionalistas. Placas com tradução em inglês nos campi são raridade. Professores fluentes no idioma também — o que, aliás, é uma das preocupações de Ina, pois, além de não serem capacitados para dar aulas ou prestarem uma assistência mais direta aos alunos estrangeiros, publicam pouquíssimos artigos científicos traduzidos para o inglês, abaixando o ranking da universidade.

Entre 2012 e 2014, a UFPE recebeu 319 estudantes estrangeiros, sendo a maioria, em primeiro lugar, da área de Humanas; em segundo, das Engenharias; e em terceiro e em quarto lugar, respectivamente, de Arquitetura e da área de Saúde.

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