sábado, 16 de maio de 2015

Descartes Kunzi Pasi - Congo

O congolês Descartes Kunzi conta um pouco sobre a sua experiência como estudante de Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco. Fala também de suas dificuldades iniciais e impressões sobre a cidade do Recife.

De que cidade você é?
Kinshasa.

Quando você chegou?
Em fevereiro de 2010.

Quem buscou você no aeroporto?
Uma irmã de uma colega que já morava aqui.

Por que você decidiu vir para o Recife?
Porque as universidades das cidades que eu escolhi, na época, não tinham vagas para o meu curso.

Você está aqui através de algum programa de intercâmbio?
Sim. Pelo PEC-G, um programa que oferece a oportunidade de fazer a graduação completa numa IES brasileira.

Você estudou português antes de vir para cá?
Não... Fiz o curso de português para estrangeiros aqui no CAC.

Como você encontrou a sua casa no Recife?
Ela [a irmã de uma colega] morava numa república e um dos quartos tinha vaga.

Como a Diretoria de Relações Internacionais da UFPE ajudou você na sua chegada ao Brasil?
Todos os programas internacionais estavam na responsabilidade dessa entidade e o meu programa não era um dos mais conhecidos, então quase não houve orientação. Só lembro de ter ido ali para apresentar documentos.

Como são as aulas na UFPE? Elas são muito diferentes das aulas no seu país?
Sim. O sistema de cobrar as atividades, de organizar as provas. No Congo, por exemplo, você tem um período antes para se preparar, e no CIN (Centro de Informática) as provas acontecem a qualquer momento.

Com quem você costuma sair/se divertir no Recife?
No início, com outros conterrâneos, e com os anos fui conhecendo os brasileiros.

Você costuma ir a programas culturais (como cinema, teatro, shows, etc.)?
Sim. Teatro não muito...

O que você acha da cidade do Recife?
Vivendo aqui há 5 anos, o Recife já faz um pouco parte da minha história. Mas mesmo assim não gosto do trânsito; e de maneira geral das pessoas (claro que tem gente boa), mas às vezes tenho dificuldade de bater papo com os recifenses por falta de cultura geral deles. Não entendo como numa das “melhores universidades” tenham estudantes que me perguntam “Você fala africano?” ou “Você é da África ou da Angola?”.

Que tipo de dificuldade você já teve ou ainda tem aqui?
Arrumar fiador para alugar uma casa, fazer fila em qualquer lugar, esperar dois meses para conseguir instalação de internet em casa...

Quando você pretende voltar pro seu país?
Não sei. Por enquanto, pretendo conhecer outras cidades daqui e ver se eu fico.

Você recomendaria a UFPE para os seus amigos?
Depende. Hoje, acho que com mesmo programa de intercâmbio, a UFPE melhorou bastante, mas, para ser sincero, indicaria outra cidade devido a outros fatores (transporte, alocação de apartamento, prestação de serviços).

Você lembra de alguma história engraçada que aconteceu aqui?
Tem muitas. Um dia, fizemos um after na praia de Boa Viagem e eu resolvi tirar minhas roupas para nadar... Momentos depois, quando amanheceu, eu voltei no local para pegar as minhas roupas e alguém já tinha roubado a minha camisa e os meus sapatos. Ainda bem que não tinha tirado a calça...


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