O congolês Descartes
Kunzi conta um pouco sobre a sua experiência como estudante de Ciência da
Computação na Universidade Federal de Pernambuco. Fala também de suas dificuldades
iniciais e impressões sobre a cidade do Recife.
Kinshasa.
Quando você chegou?
Em
fevereiro de 2010.
Quem buscou você no aeroporto?
Uma
irmã de uma colega que já morava aqui.
Por que você decidiu vir para o Recife?
Porque
as universidades das cidades que eu escolhi, na época, não tinham vagas para o
meu curso.
Você está aqui através de algum programa
de intercâmbio?
Sim.
Pelo PEC-G, um programa que oferece a oportunidade de fazer a graduação
completa numa IES brasileira.
Você estudou português antes de vir para
cá?
Não...
Fiz o curso de português para estrangeiros aqui no CAC.
Como você encontrou a sua casa no
Recife?
Ela [a
irmã de uma colega] morava numa república e um dos quartos tinha vaga.
Como a Diretoria de Relações
Internacionais da UFPE ajudou você na sua chegada ao Brasil?
Todos
os programas internacionais estavam na responsabilidade dessa entidade e o meu
programa não era um dos mais conhecidos, então quase não houve orientação. Só
lembro de ter ido ali para apresentar documentos.
Como são as aulas na UFPE? Elas são
muito diferentes das aulas no seu país?
Sim.
O sistema de cobrar as atividades, de organizar as provas. No Congo, por
exemplo, você tem um período antes para se preparar, e no CIN (Centro de
Informática) as provas acontecem a qualquer momento.
Com quem você costuma sair/se divertir
no Recife?
No
início, com outros conterrâneos, e com os anos fui conhecendo os brasileiros.
Você costuma ir a programas culturais
(como cinema, teatro, shows, etc.)?
Sim.
Teatro não muito...
O que você acha da cidade do Recife?
Vivendo
aqui há 5 anos, o Recife já faz um pouco parte da minha história. Mas mesmo
assim não gosto do trânsito; e de maneira geral das pessoas (claro que tem
gente boa), mas às vezes tenho dificuldade de bater papo com os recifenses por
falta de cultura geral deles. Não entendo como numa das “melhores universidades”
tenham estudantes que me perguntam “Você fala africano?” ou “Você é da África
ou da Angola?”.
Que tipo de dificuldade você já teve ou
ainda tem aqui?
Arrumar
fiador para alugar uma casa, fazer fila em qualquer lugar, esperar dois meses
para conseguir instalação de internet em casa...
Quando você pretende voltar pro seu
país?
Não
sei. Por enquanto, pretendo conhecer outras cidades daqui e ver se eu fico.
Você recomendaria a UFPE para os seus
amigos?
Depende.
Hoje, acho que com mesmo programa de intercâmbio, a UFPE melhorou bastante, mas,
para ser sincero, indicaria outra cidade devido a outros fatores (transporte,
alocação de apartamento, prestação de serviços).
Você lembra de alguma história engraçada
que aconteceu aqui?
Tem
muitas. Um dia, fizemos um after na
praia de Boa Viagem e eu resolvi tirar minhas roupas para nadar... Momentos
depois, quando amanheceu, eu voltei no local para pegar as minhas roupas e
alguém já tinha roubado a minha camisa e os meus sapatos. Ainda bem que não
tinha tirado a calça...

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